Segunda feira, 15 de dezembro de 2025
Fala Matão

Gestão Esquetini teria ampliado contrato de esgoto em 5 anos e meio, diz vereadora

Ampliação do prazo de concessão da CMS teria surpreendido setores da Prefeitura e indica ausência de documentos na Prefeitura que justificariam o ato, diz vereadora.

  • Alex Gasoni
  • 14:09
  • Sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Fala Matão - Alex Gasoni
Companhia Matonense de Saneamento (CMS) - Foto: divulgação

Uma revelação feita pelos vereadores Ana Mondini (Republicanos) e Cido Motos (União) durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Matão, na noite de segunda-feira (8), foi motivo de debate caloroso entre os parlamentares: o contrato de concessão da Companhia Matonense de Saneamento (CMS) — que originalmente terminaria em 2032 e, posteriormente, em 2035, após prorrogação de três anos no governo Adauto Scardoeli — teria sido ampliado em mais 5 anos e 6 meses, estendendo o prazo até 2040, com base em trechos de um decreto editado no governo do então prefeito Edinardo Esquetini.

''O decreto não tratava especificamente de prorrogação contratual, mas de reequilíbrio econômico-financeiro e reajuste anual das tarifas'', argunta a vereadora. 

Documentos não teriam sido encontrados na Prefeitura

Ao solicitar todos os documentos que justificariam o reequilíbrio com extensão do prazo, o atual secretário municipal de Concessões, Eduardo Matuiski, teria informado aos vereadores Ana e Cido que não há na Prefeitura nenhum processo administrativo — como laudos, cálculos, relatórios, pareceres ou justificativas técnicas — referente à ampliação de 66 meses.

A única informação disponível teria sido apresentada posteriormente pela própria concessionária, ao relatar que o pedido estaria relacionado a investimentos feitos para tratar “dejetos atípicos” originados de esgoto industrial lançado na rede. A concessão original contemplaria apenas o tratamento de esgoto doméstico.

Contudo, esses estudos e justificativas não estariam disponíveis nos arquivos municipais.

Por que o caso só veio à tona agora

Segundo Ana Mondini, o episódio foi revelado porque ela já acompanha um inquérito do Ministério Público, aberto em 2021 após questionamentos que ela mesma apresentou sobre:

• a falta de processos administrativos nos decretos de reajuste;

• a inexistência das revisões ordinárias previstas a cada quatro anos;

• reequilíbrios concedidos sem análises formais.

Ao reunir decretos antigos para atender às solicitações do MP, o secretário teria descoberto que o decreto do governo Esquetini continha os “considerandos” que mencionam a recomposição e reajuste tarifário dos serviços públicos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário do município de Matão — porém sem que a Prefeitura tivesse os documentos internos que fundamentariam tal decisão. Vindo a tona não um reequilíbrio, mas sim uma prorrogação de contrato. 

Requerimento aprovado na Câmara

Diante das inconsistências, Ana Mondini e Cido Motos protocolaram um requerimento — aprovado pelos vereadores — pedindo:

• que o decreto seja anexado ao inquérito já existente no Ministério Público;

• que a Promotoria investigue a existência ou ausência do processo administrativo mencionado;

• que o secretário Eduardo Matuíz seja ouvido pela Câmara;

• que a CMS esclareça detalhadamente o pedido mencionado no decreto;

• que sejam remetidas todas as informações à agência reguladora ARES-PCJ;

• que a Prefeitura apresente qualquer documentação eventualmente existente sobre o tema.

A vereadora enfatiza que não há conclusão judicial nem afirmação de ilegalidade, mas que a falta de documentos e a menção à ampliação do contrato dentro de um decreto de reajuste anual tornam necessária a apuração formal.

Prefeitura e CMS

O espaço está aberto para manifestações do ex-prefeito Edinardo Esquerini, da CMS e da Prefeitura, caso assim desejem.

Veja o decreto:

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