Votação ocorreu em sessão extraordinária; proposta foi reapresentada em regime de urgência, sem nova audiência pública e sem detalhamento. Outros projetos atrelados também foram votados. Veja como foi.
A Câmara Municipal aprovou, por 6 votos a 4, o projeto que institui a Taxa de Resíduos Domiciliares, conhecida como taxa do lixo. A decisão ocorreu durante sessão extraordinária, após o prefeito Cido Ferrari (PT) reapresentar a proposta em um pacote de projetos, estratégia que alterou a forma inicial de tramitação do tema.
Pelo regimento interno, o presidente da Câmara só vota em caso de empate, o que não ocorreu. Ainda assim, ele se posicionou favoravelmente ao projeto, alinhando-se publicamente à base governista. Portanto, 7 veradores foram favoráveis ao projeto.
Diferentemente da primeira versão, que havia sido protocolada de forma isolada e motivou o agendamento de uma audiência pública — posteriormente cancelada após a retirada do projeto pelo prefeito —, a nova proposta foi apresentada em regime de urgência, em votação única, sem que uma nova audiência fosse marcada.
Projeto reúne temas distintos e gera questionamentos
O texto aprovado não tratou apenas da criação da taxa do lixo. Ele incorporou também a instituição do subsídio de 50% da tarifa do transporte coletivo, a partir do segundo bimestre, criando um novo gasto permanente para os cofres públicos, além de alterações no Código Tributário Municipal.
Esse ponto gerou contradições no discurso oficial, já que a criação da taxa foi justificada pela queda de arrecadação do município, enquanto, simultaneamente, o projeto institui uma nova despesa.
Também foi incluída a redução da Contribuição de Iluminação Pública (CIP). Embora apresentada como um benefício à população, a medida foi vinculada à aprovação da taxa do lixo, criando uma associação entre os temas. Na prática, a redução da CIP decorre de uma adequação legal, motivada pela economia obtida com a substituição da iluminação pública por lâmpadas de LED. Por outro lado, o município segue pagando um empréstimo milionário relacionado à modernização do sistema, que continuará impactando o orçamento público por vários anos.
Nos bastidores, a avaliação é de que a junção de temas distintos em um único projeto teve como objetivo suavizar o impacto negativo da criação da taxa do lixo junto à população.
Outras matérias aprovadas na sessão
Além do projeto que cria a taxa do lixo, os vereadores aprovaram, na mesma sessão extraordinária, alterações na Lei nº 4.147/10, que trata do Código Tributário Municipal, bem como o Plano Anual de Publicidade do Município para o exercício de 2026.
O plano estabelece que os gastos com publicidade institucional poderão chegar a até 2%, com destinação a veículos de imprensa, conforme previsto na proposta encaminhada pelo Executivo.
Falta de transparência sobre valores
Durante a sessão, não foram apresentados os valores que serão cobrados dos contribuintes, nem houve debate público detalhado sobre como a taxa será aplicada.
Entenda a taxa do lixo
A legislação federal autoriza os municípios a cobrarem a taxa do lixo para custear os serviços de coleta, transporte e destinação de resíduos sólidos. No entanto, a lei não obriga que essa cobrança seja feita por meio de uma taxa específica. O município pode optar por financiar o serviço com recursos do próprio orçamento, como impostos já arrecadados.
A escolha entre criar a taxa ou usar outras fontes de receita depende da capacidade financeira e das prioridades orçamentárias da administração municipal. Municípios com maior equilíbrio fiscal tendem a absorver o custo, enquanto aqueles com restrições financeiras optam pela cobrança direta da população.
Votação do Substitutivo nº 001/248/2025 ao Projeto de Lei nº 248/2025
Votos favoráveis (SIM):
Ademir de Souza (PT)
China Calabres (PP)
Fabiana Scardoelli (PT)
Luiz Manzini (PL)
Haroldo Gago (PP)
Vereador Cidinho (PT)
Presidente da Câmara/Paulo Bernardi (MDB) — votaria somente em caso de empate, mas manifestou-se favorável ao projeto
Votos contrários (NÃO):
Ana Mondini (Republicanos)
Cido Motos (União Brasil)
Policial Carmo (Republicanos)
Roberto Hiro (PL)

Para relembrar
Veja como se manifestaram os vereadores no dia 7 de novembro, a pedido do Portal Fala Matão, quando o projeto foi protocolado pela 1ª vez e, posteriormente, retirado:
Ademir de Souza (PT) – “É cedo para definir posição. O projeto ainda será debatido e poderá receber emendas. Vamos ouvir os argumentos favoráveis e contrários.”
Ana Mondini (Republicanos) – ''A taxa do lixo é injusta, mal fundamentada e não terá meu voto''.
Carmo (Republicanos) – “Estou com o povo. Meu voto é não.”
China Calabres – “Irei analisar o projeto para me manifestar posteriormente.”
Cidinho (PT) – “Tomaremos posição pela base do governo. O Executivo está cumprindo a lei e apontamentos do Tribunal de Contas e Ministério Público. Teremos que fazer a nossa parte.”
Cido Motos (União Brasil) – “No momento me posiciono contrário ao projeto, mas ainda não estudei o texto.”
Fabiana Scardoelli (PT) – “Até o momento não tenho uma opinião formada e estou avaliando o projeto.”
Haroldo Gago – “Meu voto é contra esse projeto.” (mudou posicionamento final)
Luiz Manzini (PL) – “Estou analisando o projeto.”
Paulo Bernardi (MDB) – “Ainda não tenho posicionamento.”
Roberto Hiro (PL) – “Estou analisando com atenção, mas, até o momento, sou contrário à aprovação.”
