Carnês só em abril, parcelamento reduzido para nove vezes e taxa do lixo embutida levantam dúvidas sobre reajustes, reforma tributária e o verdadeiro impacto no bolso do contribuinte.
O atraso na emissão dos carnês do IPTU 2026 em Matão levanta mais perguntas do que respostas. A Prefeitura anunciou que, de forma “excepcional”, o imposto não será parcelado em 12 vezes como de costume, mas em apenas nove parcelas, com início em abril. Mas será que o problema é apenas técnico? Ou o munícipe deve se preparar para um impacto maior no bolso?
Pela explicação oficial da Prefeitura de Matão, a mudança ocorreu por um problema de parametrização no sistema de informática e pelo prazo legal de 90 dias para início da cobrança da nova taxa de coleta de resíduos (taxa do lixo). Até aí, tudo parece seguir um roteiro administrativo previsível. Mas a conta fecha mesmo assim?
Menos parcelas, mais peso no bolso
Com o parcelamento reduzido, cada parcela do IPTU tende a ficar mais alta. Soma-se a isso a taxa do lixo, que virá embutida no mesmo carnê, e ainda os reajustes do próprio IPTU. A pergunta que fica é direta: de quanto será, de fato, esse aumento total para o contribuinte?
Reforma tributária e votação casada
Outro ponto que merece atenção é a reforma tributária aprovada junto com a taxa do lixo na Câmara Municipal de Matão. As matérias foram vinculadas na votação. Qual será a real influência desse pacote nos valores finais do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), do ISS (Imposto Sobre Serviços) e do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) que chegarão aos contribuintes?
Nos bastidores, a informação é de que a taxa do lixo, sozinha, deve arrecadar algo em torno de R$ 8 milhões. Mas grande parte desse valor já teria destino certo: subsídios para o transporte coletivo da Viação Paraty. Se é assim, onde está a “grande arrecadação” que o governo projeta?
A bomba está em outro lugar?
Segundo apurado pela reportagem, o foco não estaria exatamente na taxa do lixo, mas nos reajustes e na reorganização de outros tributos, que juntos poderiam alcançar R$ 36 milhões em arrecadação.
Sobre a Viação Paraty e o colo financeiro da Prefeitura
A concessionária do transporte coletivo teria uma dívida estimada entre R$ 3 e R$ 4 milhões em ISS com o município. O subsídio anunciado levantaria outra dúvida: ele serviria, na prática, para compensar essa dívida por meio de um acordo jurídico, extrajurídico ou é conversa de bastidor? A isenção da tarifa do transporte público continuará no futuro?
Coincidência ou estratégia?
O governo afirma que tudo se regulariza em 2027, com o retorno do parcelamento em 12 vezes. Mas até lá, o contribuinte enfrentará parcelas mais altas, novos tributos embutidos e incertezas sobre o real impacto da reforma tributária local.
Afinal, o atraso foi apenas técnico? A redução das parcelas foi inevitável? Ou o carnê de abril trará um retrato mais caro e complexo do que o discurso oficial sugere?
Fica a pulga atrás da orelha — e a conta, como sempre, no bolso do munícipe.
Clique aqui para receber as notícias do Portal Fala Matão no seu WhtasApp.