Criança chegou sem vida à UPA, apresentava hematomas, sinais de desnutrição e suspeita de esganadura; Polícia Civil investiga o caso.
A Polícia Civil investiga a morte da menina Sophia Emanuelly dos Santos, de 3 anos, em Ribeirão Preto (SP), sob suspeita de tortura. O avô da criança, José dos Santos, de 42 anos, e a companheira dele, Karen Tamires Marques, de 33 anos, foram presos em flagrante na quarta-feira (18) e tiveram a prisão preventiva decretada após audiência de custódia.
Sophia foi levada pelo avô à UPA da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). Segundo o boletim de ocorrência, ele informou aos médicos que a neta estaria passando mal e teria vomitado durante o trajeto até a unidade. No entanto, o pediatra de plantão constatou que a criança já chegou sem vida, apresentando inclusive rigidez corporal. Um legista apontou que a morte pode ter ocorrido entre seis e 12 horas antes do atendimento.
De acordo com o delegado seccional Sebastião Vicente Picinato, a menina apresentava hematomas em diversas partes do corpo e com diferentes colorações, o que indica agressões em momentos distintos. Também foram constatados sinais de desnutrição, perda capilar, suspeita de esganadura e uma fratura calcificada na costela, identificada por exame de raio-X. Ainda segundo o registro, Sophia não era levada a uma unidade de saúde desde 2023.
Para o delegado responsável pelo caso, os indícios apontam que a criança já vinha sendo vítima recorrente de maus-tratos sob os cuidados do avô, que detinha a guarda legal, e da companheira dele. A mãe da menina, filha de José, seria usuária de drogas.
Durante as investigações, vizinhos do apartamento onde a criança morava com o avô, no bairro Parque São Sebastião, zona Leste da cidade, relataram à Polícia Militar que não viam Sophia havia pelo menos um mês. Os telefones celulares do casal foram apreendidos para análise.
Segundo a polícia, Karen confessou que não gostava da menina e afirmou tê-la esganado porque ela não queria comer, o que reforça a suspeita de que ela tenha causado a morte. Já o avô é investigado como coautor, por supostamente permitir que as agressões ocorressem. O delegado também afirmou que a versão apresentada por ele, de que a neta teria vomitado, não condiz com os indícios apurados até o momento.
A Polícia Civil avalia se o casal responderá por tortura e homicídio ou por tortura qualificada pelo resultado morte, crime previsto na Lei dos Crimes Hediondos. A pena para tortura quando resulta em morte pode chegar a 16 anos de prisão.
“Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos e atinge toda a sociedade”, afirmou o delegado, destacando a gravidade do caso.