Quarta-feira, 18 de março de 2026
Fala Matão

Morte de idosa e falta de ambulâncias expõem crise no SAMU em Matão

Na mesma noite, cidade ficou sem viaturas disponíveis enquanto caso grave terminou em óbito após socorro limitado

  • Alex Gasoni
  • 11:20
  • Terça-feira, 17 de março de 2026
Fala Matão - Alex Gasoni
Prédio-sede do SAMU de Matão - Foto: divulgação/Prefeitira de Matão

O portal Fala Matão apurou uma situação alarmante na noite desta segunda-feira (16). As duas únicas ambulâncias do SAMU disponíveis — já que as demais estão quebradas — estavam em transferência de pacientes fora da cidade por volta das 21h.

Na prática, isso significa que não havia nenhuma ambulância do SAMU em Matão para atendimento de urgência naquele momento. Caso ocorresse — ou tenha ocorrido — alguma emergência, moradores precisaram se deslocar até o pronto-socorro por meios próprios, aumentando o risco em situações críticas.

Mais cedo, um caso grave chamou ainda mais a atenção para o problema. Uma idosa morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória na Avenida Santa Catarina, no Jardim do Bosque. Houve discussão entre funcionários do SAMU e familiares da vítima, que questionaram a demora no socorro.

De acordo com as informações apuradas, o acionamento da viatura não depende diretamente de Matão, mas sim da regulação feita em Araraquara. Segundo o técnico de enfermagem, Arildo de Almeida, as duas ambulâncias disponíveis naquele momento já estavam em atendimento: uma realizava transferência para outra cidade e a outra atendia uma paciente no posto de saúde do Las Lomas, que precisou ser encaminhada ao pronto-socorro.

Diante da urgência, familiares da idosa acionaram o Corpo de Bombeiros. Com a gravidade do caso, os bombeiros solicitaram prioridade ao SAMU. Foi então que a regulação em Araraquara determinou o cancelamento do deslocamento da unidade básica que seguia para o Las Lomas, redirecionando-a para o atendimento no Jardim do Bosque. No entanto, quando a equipe chegou, já era tarde.

É importante destacar que, segundo relato, a demora não teria ocorrido por parte da equipe de atendimento em Matão, mas sim em razão da regulação, que já tinha conhecimento de que não havia ambulâncias disponíveis no município naquele momento.

O enfermeiro também relatou problemas estruturais preocupantes. O prédio do SAMU, recém-inaugurado no bairro Pinheirinho, estaria abandonado, e a manutenção do local estaria sendo feita pelos próprios funcionários. Além disso, a ambulância que atendeu a ocorrência estava com a sirene queimada, obrigando a equipe a utilizar a buzina para tentar abrir caminho no trânsito.

A Secretaria de Saúde não se manifestou sobre a situação até o momento.

O problema não é novo. No dia 7 de janeiro, o portal Fala Matão já havia relatado cenário semelhante: das cinco ambulâncias que compunham a frota do município, apenas duas estavam em funcionamento.

Segundo apuração, uma das viaturas que apresentou problemas mecânicos já possuía, desde outubro de 2025, um pedido de manutenção preventiva no sistema de freios que não teria sido realizado. Com a quebra, o número de ambulâncias operacionais foi ainda mais reduzido.

Na ocasião, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Matão para solicitar um posicionamento oficial sobre os reparos necessários, mas não houve resposta.

O cenário levanta questionamentos sobre a estrutura do atendimento de urgência, a disponibilidade de viaturas adequadas, a eficiência da regulação e a realização de manutenção preventiva — fatores que impactam diretamente no tempo de resposta e na segurança da população.

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