Aplicação da vacina do Instituto Butantan será interrompida temporariamente a partir desta terça-feira (9); 42 reações adversas foram notificadas, incluindo dois óbitos que seguem sob análise das autoridades sanitárias.
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (9) e foi adotada após o registro de 42 casos de reações adversas graves em pessoas vacinadas.
Segundo o governo federal, aproximadamente 500 mil doses já foram aplicadas em todo o país desde o início da campanha.
Apesar da decisão, o Ministério da Saúde destaca que ainda não há comprovação científica de que a vacina tenha causado os casos graves ou os dois óbitos que estão sendo investigados.
Por que a vacinação foi suspensa?
A suspensão ocorreu após a notificação de três casos considerados de maior gravidade, registrados em diferentes regiões do país.
Os episódios apresentaram características compatíveis com quadros graves de dengue após a vacinação, o que levou as autoridades sanitárias a iniciarem uma investigação detalhada.
As análises estão sendo conduzidas por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.
Os casos que estão sendo investigados
Mulher de 39 anos - A paciente apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina.
O quadro evoluiu para uma condição compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Após tratamento, ela recebeu alta hospitalar.
Mulher de 48 anos - Dezenove dias após a vacinação, a paciente desenvolveu sintomas graves associados a complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite. Ela não resistiu e morreu.
Homem de 58 anos - Cinco dias após receber o imunizante, o paciente apresentou febre e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.
Mortes ainda não foram associadas à vacina
As duas mortes seguem sendo investigadas pelas autoridades de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, especialistas analisam exames laboratoriais, histórico clínico, prontuários médicos e outros fatores para determinar se existe ou não relação causal entre os óbitos e a vacinação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que, neste momento, não há evidências que permitam concluir que a vacina tenha provocado as mortes.
Onde os casos foram registrados?
Os episódios que motivaram a suspensão foram identificados em diferentes regiões do Brasil, incluindo:
• Nova Lima (MG)
• Maranguape (CE)
• Botucatu (SP)
• Região de Araguaína (TO)
O que acontece agora?
Com a suspensão temporária, a estratégia de vacinação será interrompida até que a revisão dos dados de segurança seja concluída.
O Ministério da Saúde informou que irá ampliar o monitoramento de possíveis reações adversas em todo o país, especialmente entre pessoas vacinadas recentemente.
Orientação para quem recebeu a vacina
A recomendação é que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde caso apresentem qualquer sintoma incomum.
Os principais sinais de alerta são:
• Febre
• Dor abdominal intensa e contínua
• Vômitos persistentes
• Tontura
• Sangramentos
• Sonolência excessiva
• Irritabilidade
• Sinais de desidratação
• Piora do estado geral
Sobre a vacina brasileira
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina suspensa temporariamente é considerada um marco para a saúde pública nacional.
Além de ser a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no Brasil, ela também é a primeira do mundo com esquema de dose única.
Por esse motivo, a decisão de interromper a aplicação tem grande impacto nas estratégias de combate à doença, especialmente em estados que participavam da campanha de imunização em massa, como São Paulo, Minas Gerais e Tocantins.
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