GAECO deflagrou no início de junho Operação Rei do Pix contra esquema milionário na Câmara de Vereadores de Catanduva. Bloqueios chegaram a até R$ 20 milhões.
Uma operação para desarticular um esquema de desvio de recursos públicos, peculato, lavagem de dinheiro e fraude na Câmara Municipal de Catanduva (SP), foi realizada na manhã de terça-feira, 2 de junho, pela PM (Polícia Militar) e o MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado)
As investigações da chamada “Operação Rei do Pix” apontam que, entre 2023 e 2024, ao menos R$ 10 milhões foram desviados do orçamento do Poder Legislativo municipal, embora haja indícios de que o montante movimentado seja ainda maior.
O esquema funcionava por meio da criação de mais de 60 empresas de fachada, registradas em nome de parentes e amigos dos investigados. Essas empresas simulavam a prestação de serviços à Câmara Municipal e emitiam notas fiscais frias.
Ao todo, os agentes cumpriram dez mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão nas cidades de Adamantina, Bauru, Jaboticabal, Catanduva e também na capital paulista.
O Ministério Público informou que os recursos públicos recebidos eram devolvidos aos integrantes do esquema com uma retenção de 90% a 95% dos valores.
Além disso, foram identificadas fraudes em licitações e contratos superfaturados que garantiam o repasse de até 30% dos valores pagos pelo Poder Legislativo à organização criminosa.
Segundo as investigações, nos anos seguintes, o grupo continuou realizando manobras financeiras para ocultar a origem ilícita do dinheiro, configurando lavagem de capitais.
O nome da operação, "Rei do Pix", faz referência ao apelido de um dos investigados, conhecido pela intensa movimentação financeira com o dinheiro público.
A Justiça de São Paulo, por meio da 1ª Vara Criminal de Catanduva, determinou o bloqueio de bens dos investigados, chegando a até R$ 20 milhões para os líderes das fraudes, a fim de garantir a reparação aos cofres públicos. Durante a ação, também foram apreendidos veículos automotores e valores em espécie.
O alvos da operação em Catanduva (SP) são:
Vereadores
• Marcos Aparecido Ferreira (PT) - conhecido como Marquinhos Ferreira, ex-presidente da Câmara (2023-2024)
• Carlos Alexandre Batista dos Santos (PP) - o Gordo do Restaurante
Ex-vereadores
• Alan Figueiredo Marçal
• Maurício Gouvea
• Patrick Camelo Rolim César
Assessores e empresários
• Diego Arthur Borges - secretário de Administração da Câmara
• Marcos Aparecido Ferreira Filho - filho de Marquinhos Ferreira e assessor da deputada estadual Beth Sahão (PT)
• Thayslan Vinícius Marcondes Garcia - ex-assessor de Marquinhos Ferreira
• Hallan Kleber Aparecido Debiazi - empresário e amigo de Diego Arthur Borges
• Pedro Henrique dos Santos Virgili - amigo de Marcos Aparecido Ferreira Filho
Até a última atualização desta reportagem, permaneciam presos Marcos Aparecido Ferreira, Marcos Aparecido Ferreira Filho, Carlos Alexandre Batista dos Santos, Maurício Gouvea, Diego Arthur Borges e Pedro Henrique dos Santos Virgili.
A megaoperação mobilizou um efetivo de 170 policiais militares e 43 viaturas no interior, três equipes da Polícia Civil na capital, além de 20 promotores de Justiça, 30 servidores do MP e 11 agentes da Receita Federal.
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