Fux e Kassio Nunes Marques acompanham o relator, enquanto Gilmar Mendes pede vista e suspende julgamento; afastamento permanece em vigor.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, na manhã desta terça-feira (8), para manter a decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo, por 90 dias, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e acompanharam integralmente o entendimento de Mendonça. Com isso, três dos cinco integrantes da Segunda Turma se posicionaram pela manutenção do afastamento.
O julgamento, no entanto, foi suspenso após o ministro Gilmar Mendes pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. O afastamento imediato continua valendo. O ministro Dias Toffoli se declarou impedido de participar da votação.
Afastamento ocorreu em meio ao caso Banco Master
A decisão de André Mendonça ocorre durante o avanço das investigações relacionadas ao caso do Banco Master. O nome de Andrei Rodrigues apareceu em mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais personagens das apurações.
Na mesma decisão, Mendonça determinou também o afastamento preventivo do delegado federal Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da PF.
Segundo o ministro, a medida busca impedir que as atividades de inteligência da Polícia Federal continuem sendo utilizadas de forma considerada irregular.
Ministro afirma ter sido monitorado pela PF
Mendonça afirmou ter sido alvo de um suposto “monitoramento sistemático e ilegal” realizado por integrantes da Polícia Federal durante mais de 30 dias.
De acordo com a decisão, ao menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. O material, segundo o ministro, teria como alvo sua atuação funcional.
Além dos afastamentos, Mendonça determinou a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de ministros do STF, integrantes da advocacia pública ou atividades relacionadas à polícia judiciária.
Crise envolve STF, PF e investigações
O caso provocou uma crise institucional envolvendo integrantes do STF, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As investigações teriam identificado mensagens e supostos encontros envolvendo autoridades e Daniel Vorcaro. Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também aparecem em mensagens atribuídas ao banqueiro.
A PGR chegou a defender a nulidade de atos praticados por Mendonça, enquanto o ministro Alexandre de Moraes pediu a abertura de investigação contra o colega no âmbito do Inquérito das Fake News.
Com a decisão desta terça-feira, o afastamento de Andrei Rodrigues permanece em vigor, apesar da suspensão do julgamento após o pedido de vista de Gilmar Mendes.
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