Em casos graves de hipoglicemia e sem atendimento adequado, o quadro pode evoluir para coma profundo, parada cardiorrespiratória e sequelas neurológicas irreversíveis; profissionais relatam falta do medicamento há mais de um mês.
Por Alex Gasoni
Profissionais da saúde procuraram o Fala Matão, de forma anônima, para denunciar uma série de problemas que, segundo os relatos, estariam afetando a estrutura disponível para os atendimentos de emergência do SAMU de Matão.
Entre as principais denúncias está a falta de glicose 50% há mais de um mês. Segundo os relatos, inicialmente a equipe teria passado a utilizar a glicose 25% e, posteriormente, também enfrentado dificuldades para reposição do estoque.
A glicose é utilizada no atendimento de pacientes com hipoglicemia, quadro que, quando grave, pode provocar alteração de consciência, convulsões, coma e risco à vida.
Um dos relatos recebidos aponta que, em determinada ocorrência, o médico regulador teria solicitado seis ampolas de glicose, mas a quantidade necessária não estaria disponível naquele momento.
Uma ampola de glicose 50% custa aproximadamente R$ 2 em drogarias diversas. O valor efetivamente pago pelo município, entretanto, precisa ser confirmado por meio dos documentos de compra.
As denúncias também apontam falta de esparadrapo e utilização de cateteres com prazo de validade vencido. Há ainda o relato de que medicamentos e materiais da base do SAMU teriam sido retirados para utilização em unidades de saúde, incluindo cateteres vencidos no Posto de Sáude do Centro.
Ambulâncias fora da unidade
Os profissionais também relatam problemas na frota.
Segundo as denúncias, atualmente três ambulâncias estariam disponíveis, sendo uma Unidade de Suporte Avançado e duas unidades de suporte básico.
Outras duas ambulâncias, que poderiam ser utilizadas como reserva, não estariam disponíveis. Uma delas estaria fora da unidade há aproximadamente quatro meses, segundo os relatos.
Problemas de climatização
As denúncias também apontam problemas no ar-condicionado das ambulâncias. Nesta segunda-feira o interior da ambulância estava marcando 39 graus Celsius. A climatização é importante para manter condições adequadas durante o transporte, especialmente em pacientes com hipotermia ou hipertermia, além de contribuir para as condições de trabalho da equipe e para a conservação de medicamentos e equipamentos.
A Portaria nº 2.048/2002, do Ministério da Saúde, estabelece requisitos técnicos para as ambulâncias e remete às especificações da ABNT NBR 14561. Por isso, a situação da climatização das viaturas também precisa ser esclarecida pela Secretaria de Saúde.
Fala Matão foi até a unidade
Diante da gravidade das denúncias, o Fala Matão esteve no SAMU para buscar esclarecimentos.
A responsável pela unidade confirmou à reportagem a falta de glicose, mas não apresentou detalhes sobre as demais denúncias. A orientação foi para que os questionamentos fossem encaminhados ao Secretário Municipal de Saúde.
A falta dos medicamentos e insumos não estaria relacionada à ausência de solicitação por parte do SAMU. As demandas teriam sido encaminhadas ao setor responsável pelas compras da Secretaria Municipal de Saúde, mas, até o momento, não teriam sido atendidas.
As denúncias são anônimas e partem de profissionais que afirmam conhecer a rotina do serviço. Cabe agora à Secretaria Municipal de Saúde esclarecer os fatos e informar à população em quais condições o SAMU de Matão está funcionando.
De quem é a responsabilidade?
O financiamento e o custeio do SAMU são tripartites (municipal, estadual e federal), mas a responsabilidade operacional, incluindo compras e manutenções, é do Município, ainda que o serviço receba recursos federais e estaduais.
Fiscalização
Esta reportagem foi encaminhada à Câmara Municipal para que os vereadores tenham conhecimento dos fatos relatados e possam exercer seu papel de fiscalização. O Fala Matão continuará acompanhando a situação.
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