Ação da Dise, com apoio do Gaeco e da Polícia Civil local, integra investigação realizada em diversas cidades paulistas.
Matão está entre as cidades paulistas que recebem, nesta quinta-feira (5), diligências da segunda fase da Operação Laziosi, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de comercializar medicamentos oncológicos falsificados e praticar crimes relacionados à lavagem de dinheiro.
Em Matão, a ação foi realizada em um estabelecimento localizado na Rua São Lourenço, nas proximidades da Avenida São Paulo. A operação contou com a participação de equipes da Polícia Civil, incluindo os delegados Dr. Guilherme Murad e Dr. Marlos Marcuzzo, no cumprimento do mandado de busca e apreensão.
Durante as buscas, foram apreendidos uma caixa de medicamentos oncológicos, utilizados no tratamento de câncer, além de equipamentos de informática, incluindo computadores, que serão encaminhados para análise e averiguação.
Até o momento, não há confirmação de prática ilícita por parte do estabelecimento localizado em Matão. A busca e apreensão faz parte de uma investigação mais ampla, e o material recolhido deverá contribuir para o esclarecimento das denúncias.
Operação em seis cidades
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, a segunda fase da Operação Laziosi cumpre três mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nas cidades de Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas ligadas a eles e de pessoas que, segundo a investigação, seriam utilizadas para ocultar patrimônio. Outra medida prevê a suspensão das atividades de sete empresas.
Investigação começou em 2024
As investigações tiveram início em 2024, depois que o laboratório fabricante de um imunoterápico de alto custo, utilizado no tratamento contra o câncer, comunicou às autoridades a comercialização de uma unidade falsificada a um hospital da capital paulista. A venda teria sido realizada por uma distribuidora sediada em Araraquara.
Segundo a investigação, análises realizadas pelo próprio fabricante identificaram a ausência do princípio ativo do medicamento. Posteriormente, a perícia oficial confirmou a falsificação.
Na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024, o material apreendido apontou, conforme as autoridades, a atuação da distribuidora em conjunto com uma rede de empresas interligadas. Parte dessas empresas não apresentaria estrutura operacional compatível com os endereços informados.
Ainda segundo as investigações, entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora emitiu notas fiscais de saída do imunoterápico que ultrapassaram R$ 1,5 milhão, destinadas a compradores de pelo menos sete estados brasileiros.
Medicamento falsificado teria sido administrado em paciente
Um dos episódios considerados mais graves pela investigação ocorreu em abril de 2025, após a primeira fase da operação.
Mesmo depois das diligências realizadas em 2024, a distribuidora teria comercializado nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado para um hospital do interior paulista.
A falsificação foi constatada pelo laboratório responsável pelo registro do produto. Conforme as informações divulgadas, o hospital relatou que uma das unidades chegou a ser administrada em um paciente em tratamento.
As outras unidades foram recolhidas pela própria distribuidora e substituídas por medicamentos pertencentes a um lote que coincidia com uma carga roubada em Minas Gerais.
Investigação continua
Segundo as autoridades, a segunda fase da Operação Laziosi tem como objetivo interromper as atividades investigadas, evitar que medicamentos falsificados cheguem a pacientes em tratamento contra o câncer e assegurar a recuperação de bens e valores supostamente relacionados ao esquema.
As investigações terão continuidade com a análise dos materiais apreendidos nesta quinta-feira e a realização de novas diligências.
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